Sean Silva cresceu em Portugal, entre a floresta, os campos e o oceano. Essa paisagem moldou-o antes de ter palavras para a descrever — as texturas, o tempo das coisas, os ciclos de transformação. Esse lugar ainda está dentro de tudo o que faz.
Autodidata, em constante experimentação, quando encontrou a cozedura a lenha não pareceu uma escolha, mas um reconhecimento. O fogo, a cinza e a madeira são a conversa mais direta entre o artista e o mundo natural que conhece.
Construiu o seu próprio forno a lenha em Portugal e prepara o barro com materiais recolhidos localmente. Cuida da cozedura entre 30 e 36 horas — em vez de controlar o processo, colabora com o forno, deixando que as superfícies registem o movimento da chama e da cinza. O eucalipto e o pinheiro desta paisagem atravessam o seu trabalho.
Sente-se atraído pela cerâmica tradicional japonesa e coreana, mas não pertence a ela. Move-se entre mundos sem precisar de escolher. Essa liberdade é onde o seu trabalho começa.
Foca-se em cerâmica utilitária — peças feitas para serem seguradas e contempladas, procurando transmitir a mesma sensação que encontra na natureza: algo que faz parar o tempo, que nos liga a tudo.