A biografia do projeto Pegada de Barros conta com presenças distintas. Destacam-se os percursos de Umbelina Barros, enquanto artista plástica e ceramista — face à escolha deste medium para se expressar — e de Pedro Silva, enquanto ceramista numa forte componente técnica e experimental. A diferenciação entre ambas as práticas revela-se particularmente pertinente, evidenciando dois trajetos autónomos que, ao convergirem e se complementarem, não se anulam.
Destaca-se, igualmente, a clareza com que é estabelecido o diálogo entre as duas linguagens distintas que, mantendo a sua identidade própria, se articulam em torno de um propósito comum. A matéria e o gesto, a tradição e a contemporaneidade, a reinterpretação de aprendizagens ancestrais numa execução com um olhar atual, a exploração de texturas e vidrados de ontem e de hoje — uma ponte entre o passado e o amanhã, vivendo no hoje.
Da olaria de roda e os escorridos tradicionais, passando pelos grés, as texturas e óxidos, até à porcelana no requinte das cristalizações, assim partilham o espaço, as matérias e um percurso, com linguagens distintas que se potencializam mutuamente, preservando a identidade individual do criador e fortalecendo a da Pegada.